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Divagação

Depois de muito tempo sem postar, tenho vontade de pensar escrito!

Muito me espanta, em dias de hoje, empresas que deveriam preservar clientes agindo em verdade na preservação delas mesmas. Foco no consumidor no ecziste (como diria Pe Quevedo). 

Quantos e mais quantos jovens são lançados ao mercado de trabalho depois de 4 anos / 8 semestres "gastos" em cursos de Adm ou MKT e as empresas não mudam. Cadê esses profissionais recém-formados? 

Ahhhh vendendo HotDog ou trabalhando em TI...



Num Dia dos Pais, Chorei muito!

Já passados uns quatro anos talvez... Perco-me sempre no tempo!
E isso tem sido um problema, esqueço datas, aniversários e tantas coisas...

Foi num dia dos pais, na escola de meu filho: um sábado logo cedo, era bem cedinho mesmo, 7:30h da manhã. Naquela época seriam 7:30h da madrugada...

Estávamos, todos os pais presentes, com roupas leves apesar do frio.

Sentamo-nos na quadra enquanto as crianças foram levadas para outro ambiente. Havia vários cartazes enormes pendurados em varais.
Lembrei-me de que, dias antes, meu pequeno pedira para que eu me deitasse sobre um pedaço de papel pardo, daquele de embrulhos, um pouco maior que eu. Ele desenhou o meu contorno enquanto mandava abrir os braços, fechar as pernas e dando milhares de orientações.

Quando questionei por quê, disse que era uma surpresa...

Aguardei pela surpresa.

Estávamos então sentados, olhando os vários "pais" pendurados...
A Coordenadora da Educação Infantil então, orientou para que tentássemos encontrar nossa "imagem", porém não poderíamos olhar o verso que estava repleto de fotografias coladas.

Era uma confusão de pai prá cá, pai prá lá, todos procurando pelo sinal de que aquela deveria ser sua "imagem".

Enfim encontrei... Estava um pouco mais magro do que sou em verdade. Havia também um triângulo invertido no peito com um S muito grande por dentro. Emocionou-me a referência...

Assim que todos os pais encontraram suas "Imagens", a Coordenadora pediu que nos sentássemos novamente e começou a recitar o Epitáfio dos Titãs.

Lágrimas começaram a brotar... não percebi se outros pais também lacrimejavam... havia vento frio?!

Finda a recitação, ouvimos a canção e as crianças vieram ao encontro dos pais.

Cantavam:

"... la caso vai mi potegê i eu distaído..."

Chorei com o pequeno sentado ao colo!
Abracei-o como se não o visse há muito ou como se fosse deixá-lo prá sempre!

- Tá chorando, pai?! Por quê?!

- O papai está emocionado, chorando de felicidade porque te amo demais!

- Te amo também! Então vou chorar junto!

Choramos, os dois... como se fôssemos um só!

E por muito tempo, ao ouvir os primeiros acordes daquela canção as lágrimas brotavam sem aviso e sem chances de contenção!

Hoje, emociona-me ainda... e muito!

Registro Civil

2004, dezembro, deveria ser dia 8 ou 9 no máximo, por volta das10h

Na recepção da Maternidade, questiono sobre o posto de serviços que o Cartório de Registros tem ali. A moça, atenciosa até, indica o número do outro lado da rua.

Orgulhoso, pois que pai pela segunda vez e desta vez uma menina, tão sonhada e desejada, andava por nuvens, atravessando a rua como se fosse só eu que estivesse vivo alí. Alcancei o prédio, uma casa antiga, provavelmente tombada pelo patrimonio histórico, subi os 2 lances de escada até o "quarto" onde era a sala do Cartório de Registros.

Com os papéis da maternidade em mãos, questionei sobre o processo
para registro de nascimentos e a moça, esta com cara de poucos amigos, entregou-me mais um punhado de papéis por preencher.

Resignado diante de tanta falta de tato, sentei-me à carteira e comecei a preencher as fichas, com datas e nomes e mais nomes; nome de pai, mãe, avós maternos, paternos, datas e pesos e tamanhos...

Satisfeito, levantava-me para entregar os papéis prá onça do cartório, quando um homem de uns 30 e tantos anos que estava sentado 2 carteiras à direita, já tinha pedido 3 vezes por novas fichas, pedia mais um jogo. A tal da onça, se preparava para um esporro, quando se deu conta de que não estavam só os dois alí, separou mais um jogo e disse ao homem:

- Este já é o 3º jogo, vê se não erra de novo...

- A moça não pode escrever prá mim?

- Não senhor... não posso... esse não é meu trabalho.

- Se quiser, eu posso ajudá-lo... - eu disse, olhando para a onça - já mostrando chispas nos olhos! detesto que façam troças com as pessoas que sabem menos ou que tiveram menos oportunidades... fico puto!

O rapaz, agradeceu e sentou-se mais próximo. Entregou-me as fichas e os documentos da maternidade, mais os dele e os da esposa.

Comecei a preencher com as informações que os documentos entregues continham. Nomes todos; pai, mãe, declarante, avós maternos e paternos.

O rapaz, olhou a ficha e disse alguma coisa parecida com:

- Você é professor?

- Não... não sou...

- É que você escreve bem... -(imagino que ela tenha pensado que a letra fosse bonita!). - Eu tô tão nervoso, meu primeiro filho, sabe... tô tremeno... (assim mesmo...)

- Não é fácil não... já passei pelo primeiro, também... agora nasceu a menina, tá mais fácil...

- Ahhhh.. óia aqui... minhas mão... tô tremeno todo...

Pensei comigo... o quê custava essa cretina ajudar ao pobre homem... está feliz porque lhe nasceu o filho, mas pelo pouco estudo, mal sabia ler e escrever... foda-se ela, pensei!

- Qual o nome do garoto?

O pai disse, mas não me lembro mais qual é... achei bonito o nome; acho que era um nome antigo... daqueles que hà muito tempo não se ouve mais.

Conversamos um pouco mais, ele queria saber sobre várias coisas, vacinas e tudo mais... conversamos um pouco e entregamos as fichas para a onça.

No dia seguinte, fui buscar a Certidão de Nascimento da filhota, vi a onça uma vez mais, retirei a Certidão e retirei-me, ainda não acreditando na falta de tato daquela menina! Que absurdo...

Dia de alta, feliz da vida, a familia aumentada volta para casa.

Eu, puto da vida, telefonei para o cartório, reclamei da onça e contei do absurdo com o rapaz...

Não sei o que se passou com ela, nem mesmo com o rapaz (Caipira de Perto) mas de uma coisa tenho certeza:

- Essa, pelo menos, pensa mais um pouquinho antes de maltratar alguém... ou não....

Em casa, nós 4?! Vamos vivendo muito bem! Graças à Deus!

The BluesMan

Havia, não muito tempo atrás, um músico que conhecia milhares de acordes diferentes e reconhecia pelas 1as notas qual era o blues e quem o estava executando.

Contra-baixo:
"tum.. tu-tum.. tu-tu-tu-tuuuummmm..."
-Sweet Home Chicago com Lonie Brooks! Muito bom!

"tuuuuum... tu-tummmm-tuuuuum...."
-Handy Man, na voz de Alberta Hunter! Mágico

E por aí se ia, fazendo seus shows dominicais na Praça da República, na época de ouro da Feira Hyppie... todo domingo a mesma coisa e sempre os mesmos artesãos somente mudavam os turistas (pois que era um espaço característico de visitas dos gringos em Sampa - hoje bastante mudado...).

Conta o Enanito Pendejo Del Sacco Lleno, um artesão que fazia maravilhas com couro - principalmente chaveiros (como os gringos gostavam dos chaveiros de couro!), que certa feita havia um gringuinho, daqueles bem magrinhos e pequenininhos, de óculos escuros, bermudas, meias 3/4 e sapato, sem esquecer da camisa florida (todo gringo pensa que o Brasil é o Hawaí), com uma gaitinha pendurada no pescoço olhando cada barraca/stand de exposição com muita atenção, de repente parou, esticou o pescoço, olhou para o céu e aguçou a audição, tentando descobrir de onde vinha o som...
Primeiro reconheceu os acordes, sorriu ligeiramente, começou a acompanhar o ritmo com a cabeça e foi em busca da fonte de tão boa música e pensava:

- I´ve never mind that! Wow... Someone here is listen to the best music around the world! Blues is the best!

E caminhava sorrindo, seguindo o som e tamborilando os dedos magros por dentro dos bolsos da bermuda larga...

- Where´s the player? And the singer?!
Só procurava... o som parecia tão próximo e tão familiar...

- I know this song... Albert Colins  - I Ain´t Drunk. Maybe there´s a Chicago´s Band playing here... perfect execution...

Andava pela Praça toda, os artesãos tentando chamar a atenção do gringo para suas peças e tudo que ela fazia era tamborilar por dentro dos bolsos da bermuda...

Procurou em cada recanto, em cada canto da praça e nada...

Silêncio! Um silêncio sepulcral se abateu sobre o pobre gringo, não ouvia mais coisa alguma... quando de repente, um pianinho bem suave e um vozeirão inundavam aos poucos a praça...

Ele reconheceu: Leadbelly - Alberta!

Reconheceu pela melodia, mas não entendia uma só das palavras cantadas... Estranhou o fato de ter reconhecido a melodia e por incrível que possa parecer, a sonoridade das palavras era muito próxima dos nativos dos EUA...

Ouviu com atenção, porém não entendia nada! Quando percebia uma palavra em inglês, ficava feliz por ter a possibilidade de decifrá-la...

Silêncio novamente... de repente, a guitarra rasga o céu numa estrondosa desenvoltura e projeta no ar os acordes de "Memphis Slim -Sassy Mae."

Encanta-se!
- Pretty good!

Finalmente encontra a origem do som;

Um senhorzinho, por volta de seus 60 e poucos anos, sentado num banquinho veeeeeeeelho, talvez mais velho que ele mesmo, um Korg à sua frente, guitarra no "colo" e um 3em1 (para os que não sabem; um equipamento de som que dispunha de Tape-Deck, Pick-Up e Receiver AM/FM - devo ter falado grego de novo: um tocador/gravador de fitas k7, um tocador de discos de vinil e um rádio am/fm)...

Pelas caixas de som, emanava a "cozinha" do artista.

O gringuinho, educadamente esperou que o velhinho finalizasse Muddy Waters - I Be's troubled, aproximou-se e disse:

-D´Afternoon! I´ve listened to you playing and I love so much!

- ?

- Que qui esse hômi tá falano???????

- Did you understand? sorria o gringo..

O velhinho sorriu também e disse:
- Bluesman!

-Yeah! You are a great Bluesman! Do you play here every day?

- Every Mornin' - Keb Mo! E lançou os acordes...

O gringo ficou estupefato! Quase perfeito, não fosse pelo inglês incompreensível....

- Bluesman! E começou o solo de guitarra, Albert King - Bluesman

O gringo endoidou, ficava tietando o velhinho, metia a mão nos bolsos, tirava, batia com os pés no chão, tamborilava no vento....

- Toca aqui comigo, Seu Moço! disse o velhinho... o gringo não entendeu...

- Toca aqui... Letiz prai! You... Tú.... e sinalizou para que o gringo se achegasse...

O gringo entendeu e fez cara de envergonhado... mas subiu no pequeno palco improvisado...

-Joe Turner? perguntou o velhinho...
- No, Mike Mitchells!
- Conheço não! Joe Turner? Prai?
- No! I´m Mike Mitchells!
- Joe Turner - Nothin' from Nuthin' Blues ! disse o velhinho.
- Oh... I know him... and I know the song too... funny one!

Começaram a tocar, Mike-o gringo- ficou encantado com a habilidade do velhinho... Atacou a gaita com fúria e tocaram até o final, provocando aplausos das pessoas que assistiam.

- Robert Johnson - Dead Shrimp Blues! Pediu o gringo...

O velhinho rasgou a velha guitarra com toda maestria, o gringo piscava os olhos, batia na cabeça e cada vez mais se encantava, só não conseguia entender o inglês do velhinho... Continuava na gaita e cada vez mais pessoas rodeavam a tão inusitada dupla de músicos.

A caixinha de metal à frente do velhinho estava cada vez mais ocupada por notas de cruzeiros e dólares... Foi então que o gringo, num súbito de loucura, sacou US$100 e colocou na caixinha.

O velhinho, sem acreditar, olhou para o gringo e perguntou:

- Ocê é doido? 100 dóla? É dinheiro dimais...

O gringo, não se controlando mais, pegou o braço do velhinho e levantou-o em sinal de vitória, o velhinho, coitado, não entendia nada.

Houve uma explosão de palmas da platéia informal alí presente e o mais empolgado era o gringo Mike Mitchells que gritava:

- This guy is great! Could someone translate to him? Does anyone speaks English here?

- Hey sir, maybe I can help you... - disse um rapazola em roupas puídas e num forte sotaque nordestino...

- OK! Thank´s! Please, tell him that he´s a fabulous musician.

- Ei moço! O gringo tá falano qui você é muito bom!

- É mesmo?! Diz prá ele que eu gostei dimais di tocá co´ele, ele também é bão dimais!

- He said that he had a funny time playing those songs with you, and you´re good too...

- What´s your name? - falava alto e gesticulava, visivelmente emocionado por tudo que estava acontecendo...

- I´m Julio César, from Fortaleza! - disse o intérprete.

- Thank you Djulio... but, his name, I want to know...

- Ô moço! O gringo quer saber seu nome...

- Diz prá ele que é um montão de nome junto... Dizibibiquim de Oliveira da Silva Santos. O pai gostava muito de brus i mi deu esse nome...

- I understand... Dizzy BBKing Oleevera do Seelva Santous... funny name!

Tocaram juntos mais 2 músicas:
Corey Stevens Gone Too Long e
B.B. King & Eric Clapton - Three O'Clock Blues

O gringo despediu-se e voltou para os EUA, já nosso Dizibibiquim continua tocando os brus... encantando multidões...

Manifesto de um Quase BIKER

Vivi a vida toda num sonho de liberdade!

Queria, desde sempre, que os cabelos ficassem soltos e compridos e livres das amarras da vida e dos "bons-costumes". Queria-os compridos e nunca os tive assim.

As formalidades, as convenções, os tratados de Como Portar-se em Público, Como Ser um Bom Profissional e tantos outros, indicavam e ainda indicam: cabelos curtos, barba aparada, calças+sapatos+camisas de gola+gravatas e paletós!

Queria a liberdade de poder transitar por entre as faixas, mesmo onde não havia faixas!

Queria poder "montar" numa motocicleta e nela, desvendar os segredos da liberdade!

Queria isso e muito mais.

As convenções prenderam-me como amarras impossíveis, queria ser Houdini!

Talvez seja pelo desejo, sempre respeitei motociclistas e motoqueiros,  inclusive os cachorros-loucos que passam por mim.

Ainda há de chegar o dia d´eu montar numa motocicleta, deixar as convenções de lado, respirar o ar duma estrada qualquer, suspirando e transpirando liberdade... talvez alguns outros estarão comigo... talvez não.

Mas, enquanto não assumo essa faceta rebelde, Easy Rider, quase Peter Fonda, quase Marlon Brando meio James Dean, dirijo meu carro sempre com os vidros abertos (e pouco me importa se está frio, melhor se estiver!).

Há que chegar esse dia!

Por sorte, minha sogra não é Esperança, se fosse, eu não aguentaria esperar pelo dia que vai chegar!